Em uma reunião apressada realizada pouco mais de uma semana após o prazo final para comentários públicos sobre regulamentações de vaping, a agência reguladora do Brasil, ANVISA, decidiu hoje—como esperado—aprovar as conclusões de sua própria Análise de Impacto Regulatória, que sugere que o país mantenha sua proibição atual na venda de produtos de vaping. De acordo com a publicação brasileira de vaping, Vapor Aqui, há uma chance de que a posição do Brasil possa mudar em algum momento, mas isso não é provável no futuro próximo.
14 de abril de 2022
Esta semana, a agência reguladora de alimentos e medicamentos do Brasil, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), abriu uma consulta pública sobre vaping, finalmente convidando comentários públicos após vários anos prometendo fazê-lo. Vendas e importações de produtos de vaping são ilegais no Brasil desde 2009.
Quais são as opções do governo?
Infelizmente, não há muita chance de que o governo decida reverter sua proibição de vape e regular o grande mercado informal de vaping no Brasil. De acordo com Alexandro Lucian, o processo de consulta visa manter a proibição existente e até mesmo fortalecê-la.
A Análise de Impacto Regulatória da ANVISA de 4 de abril recomenda que a proibição atual seja mantida. A legalização e regulamentação nem foram incluídas como uma opção no relatório da agência reguladora, de acordo com Lucian.
“O documento mostra 3 possíveis alternativas: manter as coisas como estão, continuar com a proibição acrescentando critérios mais rigorosos, ou livre comércio,” escreveu Lucian na Vapor Aqui (como traduzido pelo Google do português original). “A sugestão dessa análise parcial é a segunda opção, mantendo a proibição, mudando o texto e também incluindo a proibição da fabricação desses produtos, um detalhe que estava faltando na [regra de 2009 que proibiu os vapers] e criou uma lacuna na legislação.”
O futuro do vaping no Brasil
O relatório da ANVISA será utilizado como um guia pelos líderes políticos para decidir o futuro imediato do vaping no Brasil. É possível que os tomadores de decisão desconsiderem as sugestões da agência reguladora e, em vez disso, busquem legalizar vendas de produtos de vaping—mas isso não é provável. Infelizmente, as chances são boas de que o governo mantenha a proibição existente e provavelmente até a fortaleça fechando a lacuna legal que atualmente permite a fabricação de e-líquidos domésticos.
No mesmo dia em que a ANVISA abriu sua consulta pública, a FIOCRUZ—agência de ciência do ministério da saúde do Brasil—lançou uma campanha anti-vaping, de acordo com o Portal Rondonia. A campanha inclui “uma petição online incentivando as pessoas a se manifestarem contra a autorização de cigarros eletrônicos no mercado brasileiro,” diz o site de notícias. Lucian diz que a petição da FIOCRUZ foi provavelmente criada em resposta à organizada pela Vapor Aqui.
Apesar da abordagem antagonista do governo, o Brasil tem um grande mercado informal de vaping, assim como muitos países da América Latina que têm proibições de vaping em vigor. Com uma população de cerca de 215 milhões de pessoas—o sexto maior país do mundo—implementar tal proibição é quase impossível, especialmente quando o vaping simplesmente não é uma questão pública importante.
O que os vapers brasileiros podem fazer?
A consulta, destinada a reunir informações técnicas e científicas sobre produtos de vaping, permanecerá aberta até 11 de maio [NOTA: o prazo para enviar comentários foi prorrogado até 30 de junho].

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