O uso de vaping dobra seu risco de ter um ataque cardíaco? É isso que dizem as notícias, com base em um novo estudo do ativista antitabagismo da Califórnia, Stanton Glantz, e três estudantes da Universidade George Washington.
Aqui está uma seleção aleatória de manchetes:
“Vaping todos os dias pode dobrar seu risco de um ataque cardíaco, sugere nova pesquisa” (Business Insider)
“Vaping dobra as chances de ataque cardíaco” (San Francisco Chronicle)
“Estudo: Risco de ataque cardíaco dobra para usuários de e-cigarette” (UPI)
“E-Cigarettes Podem Aumentar o Risco de Ataque Cardíaco” (New York Times)
O artigo do Times, de Nicholas Bakalar, foi uma transcrição virtual do comunicado à imprensa da Universidade da Califórnia-San Francisco. O repórter nem sequer buscou opiniões contrárias — o que é uma pena porque não há falta de especialistas que ficariam felizes em contestar as alegações duvidosas de Glantz, e eles não estariam construindo bobinas e vape-mod "especialistas." Eles seriam cientistas respeitados.
O Prof. Glantz é o ativista anti-tabagismo (e anti-vaping) de carreira baseado na UCSF, onde ele dirige o Centro de Pesquisa e Educação em Controle do Tabaco, um dos Centros de Ciência Regulativa do Tabaco (TCORS) financiados pela FDA. O doutorado de Glantz em mecânica aplicada levou a pesquisas sobre tecido cardíaco humano, e isso lhe rendeu uma cátedra em cardiologia. Mas seu interesse durante a maior parte de quatro décadas tem sido combater a indústria do tabaco. Pelo menos é isso que ele acha que está fazendo.
Mesmo antes de o vaping existir, Glantz usou jogos estatísticos para “provar” os riscos do fumo passivo.
O estudo, publicado no American Journal of Preventive Medicine, é intitulado “Associação Entre o Uso de Cigarro Eletrônico e Infarto do Miocárdio.” Infarto do miocárdio é o termo médico para ataque cardíaco. Os pesquisadores usaram dados de 2014 e 2016 da Pesquisa Nacional de Entrevistas de Saúde. Os participantes da pesquisa foram questionados se usavam e-cigarettes, e também se já haviam sido informados por um médico que tiveram um ataque cardíaco.
O comunicado à imprensa da UCSF conta a história que Glantz quer que os repórteres ouçam (e recontem): “Os pesquisadores descobriram que as chances totais de ter um ataque cardíaco eram aproximadamente as mesmas para aqueles que continuaram fumando cigarros diariamente e para aqueles que mudaram para o uso diário de e-cigarette.” Mas isso é extremamente enganoso, porque os fumantes que mudam para o vaping ainda têm o dano cumulativo à sua saúde cardiovascular causado pelo fumo passado. Os autores não puderam nem ter certeza se os vapers tiveram seus ataques cardíacos após começarem a vapear.
Uma “associação” não prova uma conexão causal. Significa que alguns usuários de e-cigarette tiveram ataques cardíacos em algum momento de suas vidas. Isso não significa necessariamente que tiveram ataques cardíacos depois de começarem a vapear, porque essa pergunta não foi feita. Pode provar que mais vapers têm ataques cardíacos do que não-vapers, mas isso pode ser facilmente explicado sem assumir que o vaping causou seus ataques cardíacos.
A maioria dos vapers também são atuais ou ex-fumantes. Fumar causa muito dano cardiovascular que pode levar a ataques cardíacos — mesmo anos após você parar de fumar. Se você fuma por 25 anos e para trocando por vaping, e depois tem um ataque cardíaco anos depois, a explicação provavelmente é sua história de fumo, não o vaping que você fez depois de fumar por 25 anos.
Glantz também parece afirmar que "usuários duais" (pessoas que fumam e vape) estão em risco ainda maior, aparentemente porque quando fumantes adicionam vaping ao seu regime de fumo, ainda estão fumando a mesma quantidade. Mas a maioria das pessoas que fazem os dois estão substituindo parte de seu fumo por vaping, não simplesmente adicionando um ao outro.
Esta pesquisa enganosa -- destinada a assustar o público sobre vaping -- pode muito bem matar pessoas.
Glantz poderia muito bem ter concluído que os fumantes que têm ataques cardíacos muitas vezes mudam para o vaping para melhorar sua saúde. Essa explicação é tão plausível — e provavelmente mais plausível — do que a dada no comunicado à imprensa de sua universidade. Na verdade, o estudo em si deixa isso claro: “O NHIS é um estudo transversal, portanto, só permite identificar associações em vez de relações causais.”
Mas o Prof. Glantz raramente deixa as palavras de seus próprios estudos atrapalharem suas declarações assustadoras — ou as histórias sensacionalistas que ele promove. Como de costume, ele exalta este estudo como se significasse algo mais do que provavelmente significa. E um resultado será que alguns fumantes que podem ter mudado para o vaping continuarão fumando porque pensam que ambos os produtos são igualmente perigosos.
Já analisamos esse problema antes. Existem muitas maneiras de transformar ciência enganosa em propaganda: estudos celulares in vitro, estudos com roedores, estudos que usam metodologias ruins (como a pesquisa de formol da Portland State), e estudos que superestimam o consumo de vapor e seus efeitos resultantes.
O Prof. Glantz é famoso por usar truques para obter os resultados de pesquisa que deseja. Mesmo antes de o vaping existir, Glantz usou jogos estatísticos para “provar” os riscos do fumo passivo. Esta pesquisa enganosa — destinada a assustar o público sobre vaping — pode muito bem matar pessoas. E isso parece não incomodar Glantz nem um pouco.

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